Vamos ali fumar?
O convite, para muitos, é tentador. Contudo, pode ser uma armadilha fatal. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicados pela Sociedade de Cardiologia de São Paulo, apontam que o cigarro contribui para a ocorrência de 440 óbitos por dia no Brasil.
O uso da nicotina, seja por meio do fumo tradicional ou pelos cigarros eletrônicos, é alto, realidade que não é diferente em Tamarana, principalmente entre os jovens tamaranenses, segundo a farmacêutica Viviane Dedin de Oliveira, da UBS do Jardim Juny, que coordena um programa de combate ao tabagismo criado pela Secretaria Municipal de Saúde. Para a secretária da Saúde, Viviane Granado Barreira da Silva, grupos de apoio, além do fornecimento de medicamentos, são essenciais para auxiliar nos sintomas de abstinência.
O programa gratuito consiste na formação de grupos presenciais para auxiliar fumantes que desejam abandonar o cigarro. Quando iniciado, os encontros ocorrem semanalmente e contam com a participação de médicos, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos, dentistas, nutricionistas e educadores físicos. “Segundo a farmacêutica, os participantes recebem acompanhamento profissional e, quando indicado pelo médico, podem utilizar medicamentos disponibilizados gratuitamente pelo programa. Entre eles estão adesivos de nicotina, goma de mascar com nicotina e bupropiona. “O médico faz a avaliação para verificar se o paciente pode utilizar a medicação. O tratamento é definido de acordo com a quantidade de cigarros consumidos por dia”, afirma.
As ações de conscientização também fizeram parte da programação do mês de combate ao tabagismo, que ocorreu em maio. Equipes das UBS dos bairros Juny e Plínio realizaram orientações aos pacientes sobre os riscos do cigarro e divulgaram a existência dos grupos de apoio. Além das unidades de saúde, a Secretaria Municipal de Saúde promoveu recentemente uma atividade em uma escola do município voltada aos estudantes do ensino fundamental e médio. O objetivo foi alertar sobre os riscos dos cigarros eletrônicos.
“Observamos uma incidência dos dispositivos eletrônicos entre os jovens. Alguns relataram que utilizam o cigarro eletrônico há anos. Convidamos esses jovens para procurarem a unidade de saúde e participarem do programa”, relata. Viviane destaca que o tabagismo está relacionado a diversas doenças além do câncer de pulmão. “Existe o câncer de boca, de língua e de faringe. Também há problemas respiratórios, como a DPOC e a asma. Com os cigarros eletrônicos, observamos aumento de casos de infarto entre jovens”, afirma.
A coordenadora informa que o programa funciona por meio de inscrição na unidade de saúde ou junto aos agentes comunitários. Após o cadastro, os pacientes são encaminhados para avaliação médica e inclusão em novas turmas.
Desde que assumiu a coordenação do programa, em 2019, Viviani contabiliza diversos casos de abandono do cigarro sem recaídas. “Temos pacientes que conseguiram parar de fumar e mantiveram esse resultado ao longo dos anos. Cada conquista representa um avanço importante para a saúde dessas pessoas”, diz.
História de superação
Entre os participantes que conseguiram abandonar o cigarro está Lindamara dos Santos. Ela começou a fumar aos 10 anos e manteve o hábito por cerca de quatro décadas. “Tem 40 anos que eu fumava. Depois dessas reuniões que fizemos aqui no posto, eu parei”, comemora. Lindamara afirma que decidiu abandonar o cigarro logo após os primeiros encontros do grupo. “Eu saí dali com o objetivo de não fumar mais. Comecei a tomar o comprimido, usar o adesivo certinho e não fumei mais”, relata.
Ela destaca as mudanças que percebeu após a interrupção do tabagismo. “Hoje eu ando quatro quilômetros a pé. Não tenho mais falta de ar. Sou outra pessoa”, afirma. Para quem deseja abandonar o cigarro, Lindamara recomenda procurar ajuda do grupo que a ajudou a parar de fumar.
Cinco anos sem fumar
Outro exemplo é o de Adézio Aparecido Rodrigues, que começou a fumar aos 16 anos e manteve o hábito por mais de 30 anos. “Usei o medicamento, o adesivo e consegui diminuir o cigarro aos poucos. Em cerca de 15 dias consegui parar totalmente”, lembra.
Hoje, ele está há aproximadamente cinco anos sem fumar e afirma que não sente vontade de voltar ao hábito. “Depois que a gente para de fumar, percebe o quanto o cigarro faz mal e como o cheiro incomoda. Não tenho vontade de fumar novamente”, relata. Adézio reconhece que abandonar o cigarro não é simples, mas acredita que o esforço compensa. “É um vício difícil de largar, mas vale a pena. Quem quer parar deve procurar ajuda e persistir no tratamento”, conclui.

