A tristeza toma conta de você como um abraço sufocante, a respiração é ofegante e não lhe vem à mente nenhuma solução para aquele desespero que sente. Esses são alguns dos sintomas de diferentes doenças psíquicas que podem levar, em casos extremos, ao suicídio.
Em uma sociedade ansiosa, em que tudo precisa ser para “ontem”, a pressão só prejudica. Por este e outros motivos, 38 brasileiros tiram a própria vida por dia, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), com dados compilados em 2019 pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em Tamarana, a Prefeitura, por meio da Secretaria da Saúde, tem realizado ações de conscientização junto à população nas unidades de saúde. O trabalho é estruturado pelo psicólogo Humberto Ricardo de Andrade Castro e uma equipe grande composta por Patrycia Camargo Plath Ferreira, Elissandra Alves de Melo Bueno, Mariza Assumpção Jorge, Vitória da Silva Armelin, Marcely Cristina Furquim Fagundes, Camila Soares da Silva, Neucileia Gonçalves Correa Lorrenzzentti, Steffany Sampaio Muniz, Josiana (Psicóloga) e de Thais Aguiar Batista (Educadora Física).
A iniciativa busca ampliar o acesso à informação, orientar a população sobre sinais de alerta e reforçar a importância da busca por ajuda diante de situações de sofrimento emocional.
De acordo com Patrycia Camargo Plath Ferreira, enfermeira e uma das profissionais à frente da campanha da Secretaria Municipal de Saúde, mudanças no comportamento podem indicar que uma pessoa enfrenta sofrimento e precisa de atenção. “Alguns sinais podem mostrar que uma pessoa está sofrendo ou tendo pensamentos de suicídio”, explica.
Entre os sinais que merecem atenção, estão mudanças bruscas de comportamento ou de humor, isolamento social, insônia, agitação e aumento do consumo de álcool ou de outras drogas. Também é importante, segundo ela, observar falas que indiquem desesperança ou uma possível despedida.
Frases como “não quero mais viver”, “eu não estarei aqui no próximo ano” ou “eu quero dormir e nunca mais acordar” podem representar sinais de alerta e devem ser levadas a sério. Patrycia também destaca a importância de observar fatores que podem aumentar o risco, como tentativas anteriores de suicídio, transtornos mentais, perdas recentes, ausência de suporte social, conflitos familiares e exposição à violência.
“A pessoa precisa saber que não está sozinha e que pode contar com os profissionais de saúde”, afirma. Patrycia completa que a prevenção também passa pela escuta e pelo acolhimento. Diante de uma pessoa em sofrimento, familiares, amigos e pessoas próximas podem oferecer atenção, evitar julgamentos e incentivar a busca por ajuda profissional.
Patrycia aponta também que, na rede municipal de saúde, os profissionais estão preparados para realizar a escuta e avaliar cada situação. O atendimento permite identificar sinais de sofrimento e orientar a pessoa sobre as possibilidades de cuidado e suporte. “O acolhimento e a escuta podem ajudar essa pessoa a encontrar alternativas”, destaca Patrycia.
A campanha do Setembro Amarelo em Tamarana terá ações voltadas à orientação da população sobre sinais, comportamentos e fatores de risco relacionados ao suicídio. A proposta é ampliar o conhecimento sobre o tema e fortalecer a busca por ajuda.
Em situações de sofrimento emocional, procurar um profissional de saúde é uma forma de iniciar o cuidado. A pessoa também pode buscar apoio junto a familiares, amigos ou outras pessoas de confiança. “A prevenção depende da atenção aos sinais, do diálogo e do acesso à rede de apoio. Falar sobre o assunto pode abrir espaço para que uma pessoa em sofrimento peça ajuda”, esclarece.
Rede de apoio.
Formado exclusivamente por voluntários, o CVV oferece apoio emocional e prevenção do suicídio gratuitamente. Quem procura, normalmente está se sentido solitário ou precisa conversar de forma sigilosa, sem julgamentos, críticas ou comparações.
Atuação nacional. O atendimento é realizado pelo telefone 188 (24 horas por dia e sem custo de ligação), chat, e-mail e pessoalmente em alguns endereços.
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