O mês de maio é marcado pelo combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. Mais precisamente em 18 de maio, foi estabelecido o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil. Para lembrar a data e reforçar junto às crianças a importância de identificar situações de abuso, a rede de assistência da Prefeitura de Tamarana realizou um evento no Centro Social Urbano nesta segunda-feira.
Ao todo, mais de 200 crianças de escolas municipais e estaduais utilizaram cânticos e apresentações de teatro para abordar o tema. “É um dia muito importante para mobilizar a população. É dever de todos denunciar e conscientizar a sociedade sobre a importância de proteger a infância e reprimir qualquer tipo de violência”, explica a secretária de Assistência Social, Ariana Costa.
Falar sobre o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes é algo importante que a rede de serviços e proteção do município realiza. Mayla Valentin, assistente social da prefeitura, explica que os trabalhos são desenvolvidos durante todo o ano letivo, com palestras e atividades de conscientização e proteção.
“Os professores e a equipe multiprofissional desenvolvem essas atividades. Reforçamos, por meio de atividades e oficinas, e convidamos profissionais para falar com eles sobre essa questão do abuso e da exploração sexual. Infelizmente, é algo presente em todos os municípios, inclusive em Tamarana”, lamenta.
Mayla salienta que não é necessário que a criança prove se fala a verdade ou não. A assistente social observa que os profissionais da educação são preparados para receber uma revelação espontânea de uma criança que passou por uma situação de abuso sexual. “Existe todo um protocolo que precisa ser seguido e, caso confirmado, acionamos os órgãos de proteção para essa criança e, se for o caso, até afastá-la do abusador.”
Análise comportamental
A diretora da Escola Municipal Profa. Iracema Torres, localizada na região central de Tamarana, Silvia Wismeck Ribe, explica que ações lúdicas realizadas por meio de canções e apresentações teatrais podem despertar na criança um alerta. “Já conseguimos detectar várias situações que depois tiveram um desfecho”, observa.
Silvia completa que, muitas vezes, para a criança aquele comportamento abusivo parece normal. Mas, com esse trabalho de conscientização, foram revelados casos concretos. “Então, é de extrema importância esse tipo de evento”, completa a diretora. Na Escola Iracema, a depender da faixa etária, os professores trabalham com fantoches e teatrinhos com textos adaptados sobre esse tema.
“Em caso de suspeita, acolhemos a criança e fazemos o encaminhamento para as autoridades competentes.” Silvia completa que, pela experiência dos profissionais, uma criança vítima de violência geralmente é mais introspectiva e tenta se esconder de alguma coisa. “Há vítimas que, mesmo no calor, estão com capuz tentando se esconder. Queda na aprendizagem ou desenhos também são indícios de que algo está errado. Geralmente, elas usam tons mais cinzas, pretos e menos coloridos em seus desenhos.”
Polícia
A Polícia Civil do Paraná também marcou presença por meio da equipe do 6º Distrito Policial de Londrina, unidade responsável pelo atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, bem como pela atuação junto à rede de proteção à criança e ao adolescente na cidade de Tamarana. “Em eventos como este, fazemos um trabalho de conscientização com as crianças sobre o que pode ou não”, explica a policial civil Gabriela Feucht.
A policial destaca que é muito importante que os pais observem o comportamento de seus filhos. Em caso de suspeita, Gabriela orienta buscar a Polícia Civil. Em Tamarana, a equipe está presente a cada 15 dias na sede do Detran da cidade. A policial revela que o número de abusos é muito grande. “Isso que chega para nós, né? Fora os que não chegam, porque às vezes a família tem um pouco de vergonha, um pouco de receio de comentar uma situação dessa por colocar a criança em exposição”, observa.
No Brasil, somente o Disque 100 (Disque Direitos Humanos), canal de denúncia anônima para crimes desse porte, registrou mais de 32 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes de janeiro a abril deste ano, o que representa um aumento de quase 50% em relação ao mesmo período do ano passado.


