A infância e a adolescência são períodos de intensas mudanças. Nessa fase, o cérebro, as emoções e as habilidades sociais estão em formação, em pleno desenvolvimento. Toda experiência de vida pode ser muito significativa para formar memórias e construir traços de personalidade, assim, a convivência familiar, escolar e comunitária influenciam diretamente nesse processo, mesmo que não tenhamos controle total sobre isso.
Todos estamos sujeitos a passar por traumas, pois passamos por fases onde somos vulneráveis e imaturos. Por isso, escola e família desempenham um papel essencial na promoção da saúde mental e na identificação precoce de sinais de sofrimento psíquico, pois a criança necessita dos adultos para crescer e amadurecer.
Pais, responsáveis e educadores podem contribuir significativamente para a promoção da saúde mental por meio de atitudes simples no cotidiano, como acolher, ouvir sem julgar, sem se preocupar em entregar respostas prontas. Não é frescura, não é mimimi.
A OMS estima que 1 em cada 7 crianças e adolescentes (entre 10 a 19 anos) vive com algum transtorno mental, representando cerca de 14% dessa faixa etária na população mundial. Entre esses transtornos, ansiedade e depressão estão entre as principais causas de adoecimento e podem estar presentes em conjunto ou isoladamente em relação a outros sintomas preocupantes na infância como déficit de atenção, hiperatividade, impulsividade, rigidez cognitiva, desregulação sensorial, entre outros.
Reserve diariamente alguns minutos para conversar sem pressa, ouvindo com interesse o que a criança tem a dizer. Desenvolva um diálogo com perguntas abertas, como: “Como foi a melhor parte do seu dia?” ou “teve alguma coisa difícil hoje?”
Muitas crianças expressam emoções com mais facilidade durante brincadeiras, durante o faz-de-conta, durante um momento de jogos do que em conversas formais. Também é importante validar os sentimentos da criança naquele momento. Em vez de frases como “isso não é motivo para chorar”, “isso nem é nada”,” quando você crescer é que você vai entender” ou “você precisa ser forte”, experimente dizer: “entendo que isso foi difícil para você”, “pode ser complicado agora, mas vai passar”, “você é capaz de fazer coisas difíceis”, “vamos pensar juntos em uma forma de resolver esse problema”.
Sentir-se compreendido fortalece a confiança e favorece o desenvolvimento de estratégias saudáveis para lidar com as emoções. Buscar ajuda não significa que a família falhou com o seu papel protetivo. Pelo contrário: reconhecer que uma criança precisa de apoio demonstra muita sensibilidade, cuidado, responsabilidade e compromisso com seu desenvolvimento pleno.
Quanto mais cedo o sofrimento emocional for identificado, maiores são as possibilidades de intervenção e de construção de um futuro saudável e cheio de possibilidades. Cuidar da saúde mental é um compromisso compartilhado entre família, escola, profissionais de saúde e toda a comunidade. Quando adultos oferecem escuta, acolhimento e proteção, ajudam crianças e adolescentes a desenvolver recursos emocionais que levarão por toda a vida.
Lorena Carvalho, psicóloga (CRP 08/37182) da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte de Tamarana.